quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Como lidar com o medo


O medo condiciona a tua vida, se assim o permitires, se te entregares ao seu domínio e acreditares que não tens alternativas, que a vida humana é feita de sofrimento e que, talvez, se passares despercebida ele não te faça muito mal. Como lidar como o medo então?

1 Reconhecer o medo
Reconhecer os teus medos, saber quais são esses medos em vez de os tentar negar ou esconder, é o primeiro passo para os superar. Pensa nas situações que te metem medo, o que sentes ao pensar nessas situações, que sensações surgem no teu corpo.Toma nota disso. conhece de que forma impacta em ti essas situações que tens medo.

2 O medo é apenas uma interpretação
O medo é algo que existe apenas na tua mente e ele terá o poder que tu lhe concederes e quanto mais o evitas, quanto mais resistes aos medos mais eles persistem,mais força sobre ti ganham.O medo aliena-te da tua essência de paz,felicidade e puro amor, mas só na medida em que acreditares que assim é, podes a qualquer momento escolher que seja diferente.

3 Enfrentar o medo
Olhar os medos de frente, quando te encontrares numa situação em que tenhas medo deixa-te ficar e vê o que acontece.É óbvio que não estou a falar de situações que coloquem em causa a tua vida, como te atirares de uma janela, ou algo do género.Enfrenta o medo e verás que nada de mais acontece, que aquilo que tanto temias é muito menor do que julgavas, pois ao evitares fazer aquilo que temias isso fazia com que crescesse a ideia e o controle do medo sobre ti, mas o encarares de frente vês que ele é muito menor do que imaginavas e quanto mais o fizeres ele acaba por desaparecer.

4 Liberdade
Enfrentando os medos começas a tomar consciência da sua verdadeira natureza, que eles são meras ilusões e que só eram reais para ti porque tinham origem na tua mente e como os evitavas, reforçavas o seu poder sobre ti, como ilusões que são ao deixar de existir na tua mente crias espaço na tua atenção para a tua verdadeira essência de amor e sentes a liberdade para ser e fazer tudo aquilo que te propores fazer.Pois os limites são aqueles que aceitares como teus.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

3 Passos para aumentar a compaixão na tua realidade


A compaixão é o contacto com amor incondicional que constitui a tua essência e cada momento é o momento certo para semeares a compaixão, para fazeres com que cresça através da partilha.
Deixo-te três passos para aumentares a compaixão na tua realidade:

1 A compaixão começa em ti
É dentro de ti que a compaixão tem a sua origem, é amando-te plenamente como és, é estando presente para todas as manifestações do teu Ser, sem evitar nenhuma que cimentas a compaixão. Concerteza que enquanto humano irás detetar aquilo que classificas como defeitos em ti, mas através da compaixão integras isso a que chamas defeitos e permites assim perceber que esses "defeitos" tem a sua função na tua realidade e contribuem para a plenitude do teu Ser.

2 Cada um faz o seu melhor
A compaixão permite-te reconhecer que cada um faz o seu melhor, cada pessoa age de acordo com o seu nível de consciência e cada ato seu tem a ver consigo própria e não contigo. A compaixão ajuda-te a aceitar o comportamento das outras pessoas sem os considerar como ataques pessoais, repara que aquelas pessoas que são mais bruscas e violentas, o que não sofrerão elas para se manifestarem dessa forma, pois a realidade é um espelho do nosso interior.E se isso acontece na tua realidade serve para que reflitas e reconheças aspetos teus que se identificam com esses comportamentos, ainda que com diferentes intensidades.

3 Alimenta a compaixão
Cada situação é uma oportunidade para alimentares a compaixão, para a fazer crescer na tua atenção, deixa que o puro amor que é a tua essência te mostre como agir, que te mostre o bem que existe em todas as pessoas. Deixa que os olhos da alma te ajudem a ver de verdade através das aparências de separação, que te levam a focares-te naquilo que te separa dos demais, em vez daquilo que te une. Pois aquilo que te une aos demais é muito mais forte que qualquer noção de separação, de diferença, usando a compaixão sem limites permites-te reconhecer a compaixão nos teus semelhantes, pois em essência somos todos Um.


A compaixão não é pena, não é ser complacente, sentires que os outros agem de forma que consideras errada,mas mesmo assim as aceitas como são porque te achas melhor que elas, a compaixão é reconheceres que as outras pessoas são perfeitas na sua essência e que os desafios que a experiência humana lhes coloca não belisca o seu valor.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Desapego




Uma estória oriental sobre o desapego e como é importante sermos verdadeiramente livres, tal como é a nossa essência, sem nos deixarmos aprisionar nos objetos da moda em busca de status, ou de nos sentirmos mais importantes pela posse de algo, seja esse algo o que for, pois para algumas pessoas isso passa pela posse de outras pessoas, pela sua subjugação. E no entanto tudo o que faz parte da nossa realidade nada nos pertence, nenhum objeto a que chamas teu, nenhum familiar a que chamas teu, te pertence, apenas te foi emprestado, apenas te foi dada a oportunidade de partilhares esta tua experiência humana com eles para que em conjunto possam evoluir.

A estória conta:


"Foi a muito, muito tempo. Num casebre muito pobre junto aos portões de entrada da cidade vivia um eremita. Ele era venerado como um asceta santo, muitas pessoas procuravam seus conselhos. Até o rei já tinha ouvido falar dele. Ele quis conhecer esse homem de qualquer maneira. Um dia ele foi até o casebre e perguntou-lhe se não queria mudar-se para o palácio.

- Se o senhor quiser -respondeu o eremita - Posso ir a qualquer lugar.

O rei ficou surpreso, mas não deixou isso transparecer. Ele havia imaginado que o eremita aceitaria seu convite. Um verdadeiro eremita não deveria recusar a oferta? O rei começou a ter dúvidas. Mas como ele já havia feito o convite, levou o homem ao palácio onde mandou que lhe preparassem um belo quarto e uma boa refeição.

E o que fez o eremita? Ele usufruiu do belo quarto e da boa comida. No dia seguinte também, e no seguinte ao seguinte. Esse homem, que dizia ser um asceta, deixou-se tratar muito bem no luxuoso palácio. O rei estava profundamente decepcionado. Depois de uma semana ele falou diretamente ao estranho hóspede:

- Desculpe-me, mas simplesmente não consigo entender como você, um asceta, pode viver em um palácio. Qual a diferença entre você, um homem santo, e eu, um rei?

- Se o senhor quer ver a diferença, então venha comigo para fora da cidade.

Os dois se puseram a caminho. Caminharam por muito tempo sobre campos ensolarados, bosques húmidos e aldeias isoladas. E quanto mais caminhavam, mais impaciente o rei ficava. Quando anoiteceu ele pediu ao eremita insistentemente que finalmente respondesse à sua pergunta.

- Eu lhe direi apenas uma coisa - respondeu ele - Não voltarei mais. Seguirei adiante. O senhor virá comigo?

O rei sacudiu a cabeça.
- Não posso. Não posso abandonar meu reino e meu palácio. Além disso tenho uma família.
- Está vendo a diferença? Eu posso seguir adiante, não deixei nada para trás. Desfrutei das comodidades do palácio. Mas não me apeguei a elas. Por isso eu posso agora seguir adiante.

- Por favor, não faça isso - disse o rei - Volte comigo ao palácio.
- Para mim não faz diferença se volto ao palácio com o senhor ou sigo adiante. Mas se eu voltar, também voltarão suas dúvidas. Por isso, por amor ao senhor, eu seguirei adiante."

E tu podes seguir adiante? Podes regressar a casa?

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Não te magoes mais



É hora de assumires a tua verdadeira essência, tu és amor, todo o teu ser em todas as suas manifestações continua a ser amor. Mas aceitaste uma ideia limitada sobre quem és, aceitaste que és apenas um corpo e o ego que o controla, e que te diz o que fazer e que te colocou numa busca que é incessante, pois nunca encontras o que procuras.

Aquilo que ele te vai dando são pequenos reflexos daquilo que és, por forma a te manter agrilhoada nessa ideia de limitação, por forma a te manter entretida com a tua atenção fora de ti.

Pois é em ti que todas as respostas se encontram, é dentro de ti que descobres a tua essência de amor, tu és amor, apenas não o encontraste porque ele se mantém encerrado numa prisão interna, a qual não te permites aceder, porque não acreditas no brilho da sua intensidade.

Preferes o esforço de te manter afastada desse brilho puro do amor que és, com medo do seu poder intenso e ilimitado, preferes escolher a infelicidade que constróis afastando-te do teu centro e olhando para fora, colocando a tua atenção nas projeções dos teus medos, da tua sombra na tua realidade externa humana para assim teres quem e o que criticar, ter algo, ter alguém que te sirva de bode expiatório e te que dê o alívio de não olhares para dentro de ti, de te permitires conhecer de verdade.

Tens medo de quem descobririas se olhasses demasiado tempo para a luz intensa que pulsa em ti, tens medo de perder o controle, de perder essa identidade que te ensinaste ao longo dos anos a aceitar como sendo a tua. Preferes a limitação do que és, preferes o trabalho consistente que te mostra que apenas no sofrimento te reconheces de verdade, em vez da simplicidade perfeita da tua essência pura de amor.

Muito trabalho e esforço tens tido para seres infeliz,para te sentires insatisfeita, enganaste a ti mesma dizendo é assim que as coisas são, a vida é sofrimento, só tenho que carregar a minha cruz e procurar que no futuro possa ter um pouco de descanso, um pouco de felicidade.

Como gostas de ser enganada, tu sabes que esse futuro não existe, tu sabes que apenas existe este momento  chamado agora, tu sabes isso, possuis toda essa informação dentro de ti, é aquilo que és, não precisas que te digam aquilo que és. Basta-te Ser.

Nunca é demasiado tarde, nem demasiado cedo para seres quem és de verdade, a tua essência desconhece a tua limitação, ela é perfeita, podes escolher a qualquer momento deixar partir as ideias de limitação, as ideias que te dizem que deves sofrer muito para seres alguém, para teres direito que alguém te venha dar o amor que mereces.

Escolhe quebrar as barreiras que cercam o teu coração e permite que o teu amor se expresse em todo o seu esplendor na tua vida, através da sua partilha, quanto mais o partilhas mais ele te mostra a tua essência de amor, mais provas de amor encontras na tua realidade. E sendo inteira pela primeira vez podes ter alguém ao teu lado que queira exponenciar esse amor, que queira fazer com que cresça, pois essa pessoa também é amor, também é inteira.

É preciso amor para reconhecer o amor, um amor pleno, não tem falhas, não tem escassez, ele 
reconhece-se na partilha.



terça-feira, 6 de novembro de 2012

Eu te agradeço


Este blog atingiu 10000 visitas, obrigado a todos os que aqui passaram, espero que continuem a visitar, que possam, se assim, entenderem partilhar, divulgar, comentar, por forma a que chegue a mais pessoas.

Para alguns 10000 será pouco, para outros será muito, só assim o seria em comparação com algo e o objetivo não é a comparação mais sim agregar, pois comparar implica julgamento e cada um trilha o seu caminho e todos os que entrem nesse caminho, todos os que são "tocados" por esse caminho, não o são por acaso.

Todas as pessoas que entram na nossa vida, seja por muito ou pouco tempo, trazem algo para nós e levam algo de nós.

Com todos sem exceção se pode aprender e também ensinar, pois na verdade aprendemos através do que ensinamos e ensinamos pela forma como agimos perante o outro, pela forma como tratamos todos os que entram na nossa vida e mesmo pela forma como tratamos a vida.

A realidade é um espelho do nosso interior, cada pessoa, cada acontecimento são aspetos nossos que se manifestam e que servem para que despertemos para a nossa essência, para a verdade que somos.

A vida somos nós, nós somos vida, ela não é algo que nos acontece, algo que vem de fora e que interiorizamos, mas sim algo que vem de dentro, no sentido humano, e que se vê fora. Porque  nossa essência dentro e fora são o mesmo e um só, nós somos o todo e o todo está contido em cada um de nós.

E uma das formas de entrar em contato com a nossa essência é a gratidão, a forma como reconhecemos tudo aquilo que somos, tudo aquilo que temos, mesmo na visão limitada do humano, se formos gratos pelas pequenas coisas que já existem em nós, que já possuímos, mais motivos a vida nos trará para sermos gratos.

 E temos muitos motivos, cada um de nós, para ser gratos neste preciso momento.

Faço-te um desafio, pára um momento pega numa folha de papel e numa caneta e escreve cinco motivos pelos quais estás grato, desde as coisas mais simples até ás que julgas como mais complexas.Depois de os escreveres, foca a tua atenção no que estás a sentir, deixa que essa sensação te envolva, te preencha totalmente e agora vê essa sensação ser projetada no teu mundo, pode ser se quiseres direcionado para alguma pessoa e repara como cresce essa sensação.

Este exercício podes repeti-lo todos os dias, ou quando te apanhares a protestar contra a tua realidade, lembra-te que aquilo em que te focas, a que dedicas a tua atenção torna-se real para ti.

Mais uma vez obrigado por leres as minhas palavras, por aceitares receber as "minhas" ideias, elas servem para que eu me relembre quem sou e que também és tu, todos somos um só, puro amor.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Poemas de Alberto Caeiro

Falas de Civilização, e de não Dever SerFalas de civilização, e de não dever ser, 
Ou de não dever ser assim. 
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos, 
Com as cousas humanas postas desta maneira. 
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos. 
Dizes que se fossem como tu queres, seria melhor. 
Escuto sem te ouvir. 
Para que te quereria eu ouvir? 
Ouvindo-te nada ficaria sabendo. 
Se as cousas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo. 
Se as cousas fossem como tu queres, seriam só como tu queres. 
Ai de ti e de todos que levam a vida 
A querer inventar a máquina de fazer felicidade! 

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" 
Heterónimo de Fernando Pessoa
Aceita o UniversoAceita o universo 
Como to deram os deuses. 
Se os deuses te quisessem dar outro 
Ter-to-iam dado. 

Se há outras matérias e outros mundos 
Haja. 

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" 
Heterónimo de Fernando Pessoa
O Único Mistério do Universo é o Mais e não o MenosNo dia brancamente nublado entristeço quase a medo 
E ponho-me a meditar nos problemas que finjo... 

Se o homem fosse, como deveria ser, 
Não um animal doente, mas o mais perfeito dos animais, 
Animal directo e não indirecto, 
Devia ser outra a sua forma de encontrar um sentido às coisas, 
Outra e verdadeira. 
Devia haver adquirido um sentido do «conjunto»; 
Um sentido, como ver e ouvir, do «total» das coisas 
E não, como temos, um pensamento do «conjunto»; 
E não, como temos, uma ideia do «total» das coisas. 
E assim - veríamos - não teríamos noção de conjunto ou de total, 
Porque o sentido de «total» ou de «conjunto» não seria de um «total» ou de um «conjunto» 
Mas da verdadeira Natureza talvez nem todo nem partes. 

O único mistério do Universo é o mais e não o menos. 
Percebemos demais as coisas - eis o erro e a dúvida. 
O que existe transcende para baixo o que julgamos que existe. 
A Realidade é apenas real e não pensada. 
O Universo não é uma ideia minha. 
A minha ideia do Universo é que é uma ideia minha. 
A noite não anoitece pelos meus olhos. 
A minha ideia da noite é que anoitece por meus olhos. 
Fora de eu pensar e de haver quaisquer pensamentos 
A noite anoitece concretamente 
E o fulgor das estrelas existe como se tivesse peso. 

Assim como falham as palavras quando queremos exprimir qualquer pensamento, 
Assim falham os pensamentos quando queremos pensar qualquer realidade. 
Mas, como a essência do pensamento não é ser dita, mas ser pensada, 
Assim é a essência da realidade o existir, não o ser pensada. 
Assim tudo o que existe, simplesmente existe. 
O resto é uma espécie de sono que temos, 
Uma velhice que nos acompanha desde a infância da doença. 

O espelho reflecte certo; não erra porque não pensa. 
Pensar é essencialmente errar. 
Errar é essencialmente estar cego e surdo. 

Estas verdades não são perfeitas porque são ditas, 
E antes de ditas, pensadas: 
Mas no fundo o que está certo é elas negarem-se a si próprias 
Na negação oposta de afirmarem qualquer coisa. 
A única afirmação é ser. 
E ser o oposto é o que não queria de mim... 

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" 
Heterónimo de Fernando Pessoa
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