sexta-feira, 31 de maio de 2013

Meditação para quem acha que não consegue meditar



 Os benefícios da meditação estão deveras documentados e provados por diversos estudos científicos e acima de tudo por todos aqueles que o fazem e demonstram tudo aquilo que de bom a meditação traz ás suas vidas. 

Existem no entanto várias ideias sobre o que é a meditação e sobre como se deve meditar, no entanto a meditação não é algo estanque, nem é algo de definitivo e fechado, existem diferentes tipos de meditação e diferentes abordagens sobre o que é meditar.

Existe por vezes uma ideia de que meditar é complicado, que exige muito esforço por parte de quem o pratica, que exige muitos anos de prática para se aprender a meditar, que a meditação não é para todos; tudo isso são ideias feitas e se as pessoas acreditarem nisso, como qualquer outras crenças, então para essas pessoas isso é real, é verdadeiro para elas.

No entanto a meditação não tem a ver com o se fazer algo, mas sim com a intenção, com a disponibilidade na sua prática, isto significa que meditar é a disponibilidade que te permites de estar contigo próprio, de estares presente no momento presente.

Podes meditar estando em atividade, ou estando parado em descanso, pois tem a ver com a tua aceitação do momento presente como ele se te apresenta, com ser esse espaço de quietude que presencia a realidade que percecionas em cada momento. 

Nós percecionamos o mundo como nós somos e não como o mundo é, meditar é abdicar por um momento de tentar controlar a realidade, de julgar aquilo que percecionamos da realidade e estar presentes para aquilo que surge, que nos é presenteado pela realidade,pela vida como ela acontece.

Meditar é esse imenso espaço que fica livre quando suspendemos o julgamento e nesse espaço livre verificamos como respira fundo o nosso ser, a nossa essência; as cores ganham um novo brilho, o ar torna-se mais leve e tudo se encaixa, tudo é como deve de ser, tudo flui como deve fluir, fluímos com a vida, somos essa vida, e como tudo é simples, como tudo é perfeito sendo como é.

Se quer começar a meditar comece por reparar na respiração, sem forçar nada, repare como sente a respiração em si, seja o ar a entrar nas narinas, seja na expansão e contração do abdómen, simplesmente repare. Tome atenção aos sons ao seu redor, como acontecem sem os classificar apenas tomando atenção quando ocorram. Repare nos odores que existam nesse local, deixe-se mergulhar nesse fluxo de sentidos,sem os classificar, sem os forçar, sem dedicar a atenção a nenhum em particular, apenas esteja presente. Quando os pensamentos vem, apenas observe, se algo o distrair, repare e volte a estar presente.

E isto pode fazê-lo pelo tempo que quiser, podem ser trinta segundos, um minuto, cinco minuto, o que for, basta que esteja presente para si, que esteja consigo nesse momento,experienciando a vida como ela é, como você é. Experimente.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Querer condiciona a tua liberdade


O querer condiciona a tua liberdade porque o querer é um sinal que te vês como limitado, que te vês como incompleto, que a escassez é uma realidade para ti e na verdade, a realidade estará de acordo como isso mesmo, a realidade dar-nos-à provas dessas crenças.

Quando estamos focados em querer algo estamos desfocados do momento presente, estamos a querer condicionar a vida para que ela seja como achamos que ela deve de ser e neste processo continuamos desligados da vida como ela é, e no entanto a vida continua, ela está ai para nos apoiar, quando assim o permitirmos.

Querer significa que aquilo que tens não te é suficiente e isto normalmente está associado a bens materiais ou à falta de relacionamentos, tal resulta de estares focado no teu exterior, de procurares fora de ti algo que te venha completar e por isso queres mais. 

Sendo no entanto a tua realidade um espelho do teu interior, logo se essa realidade te mostra escassez, seja em que domínio for, isso resulta do desfasamento entre aquilo que é a tua essência e aquilo que percecionas dela.

E, então, qual é a solução? 

A solução é simplificar, é permitir-te parar de querer algo mais, seja essa algo o que for, se te permitires deixar de querer e aceitares tudo aquilo que já és, começarás a tomar consciência que já tens tudo aquilo que poderias querer, já és um Ser pleno de amor, de paz e alegria. 

A aceitação é o primeiro passo e sim por vezes poderá ser difícil para ti e se for esse o caso, se for difícil para ti aceitar a tua situação atual, então começa mesmo por ai, aceita que é difícil para ti esta ideia de aceitação, parecendo apenas um jogo de palavras, na verdade é a aceitação em si a funcionar e quanto mais o praticas mais fácil se torna para ti.

Mas melhor do que qualquer texto é a prática que te mostra, por isso experimenta por ti, dá-te essa oportunidade.

Depois da aceitação vem a entrega, a confiança na perfeição da vida e como ela te dá tudo aquilo que é o melhor para ti, a partir do momento em que te aceitas como és, e  aceitas a vida como ela é e tudo aquilo que ela te presenteia.

Por vezes aquilo que a vida nos dá, é na nossa perceção difícil, é classificado por nós como menos bom, ou mesmo como mau, e isto acontece porque não temos a visão do conjunto, não vemos a engrenagem toda, mas apenas uma peça da mesma, por isso é que a confiança e a entrega são importantes; fazendo-o percebemos que tudo acontece como tem de acontecer e se acontece é para o nosso melhor, para que despertemos para a verdade da nossa essência.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Procurar por algo mais e nada encontrar


Libertando-se das ideias que tem sobre quem é e sobre o que é suposto fazer, ou que acha que devia fazer, libertando-se de procurar por mais e mais para a sua vida, procurar mais felicidade, mais paz, mais amor , mais abundância.

É esta procura por algo mais, muitas vezes esse algo mais é indefinido, sabemos que queremos algo mais, mas não sabemos bem o quê; por vezes sabemos o que não queremos. Todas estas dúvidas, toda esta busca por algo mais, na verdade impede-nos de ver tudo aquilo que já somos, que tudo o que poderíamos desejar ser, já o somos.

É a ideia de falta que nos impede de tomar consciência que somos a pessoa que gostaríamos de ser, que a nossa salvação vem de dentro de nós, aquele que julgava precisar de ser salvo sempre esteve seguro,sempre esteve a salvo.

As nossas limitações são apenas ideias, pensamentos que surgem na nossa mente e que permitimos que nos limitem através da nossa identificação total com esses pensamentos, mas nós não somos esses pensamentos, somos esse espaço ilimitado onde eles ocorrem.

Observe apenas os pensamentos que surgem; quem você julga ser, não controla os pensamentos, você não sabe de onde surgem os pensamentos, assim permita-se apenas observar os pensamentos, sem se focar em nenhum em particular, apenas observe e verá que é essa presença constante que é anterior a qualquer pensamento, essa presença que não pode ser definida, logo não pode também ser limitada.

Quanto mais pratica mais ciente vai ficando da presença que é a sua essência, essa essência está presente em todas as coisas, envolve todas as coisas, nada exclui, nada diferencia, o todo é pleno, é perfeito, seja qual for a perceção limitada que, enquanto humanos, possamos ter.

Aquietando a agitação interna da mente limitada, dessa ideia limitada, ou seja o ego, libertamos espaço na nossa atenção para a perfeição plena da essência que somos, e que não precisa de qualquer definição, de qualquer autorização, ela é como é e aceitando aquilo que é, tudo encontra o seu lugar nesta nossa experiência humana, a paz, a alegria e o amor incondicional torna-se presente em cada momento, em cada situação.

Deixe de julgar, prescinda de ter razão e conhecerá em pleno a sua essência perfeita, assim como ela é.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

O que causa o teu sofrimento?


A causa do sofrimento começa na crença de que podes sofrer, que existe alguém que pode sofrer, ou seja, sofres porque te vês e crês como limitada por um corpo e uma mente que o controla. O sofrimento resulta de uma estória que criaste e como a criaste acreditas nela, ela é real para ti e procuras e encontras as provas que reforçam essa estória.

Por isso sim podes sofrer e as sensações associadas a esse sofrimento são reais e são sentidas no corpo e a origem desse sofrimento está projetado na tua realidade, seja numa pessoa ou situação, na qual descarregas a culpa de todo o sofrimento que sentes em ti. 

Como estás de tal maneira identificada com essa ideia limitada de ti, não tens consciência de ser a origem dessas projeções na tua realidade, que espelham toda essa culpa que existem em ti, que criaste na tua mente. Mas tudo isso é apenas uma ilusão, se te permitires parar por um momento e começares a estar presente contigo mesma, apenas observando os pensamentos que surgem na tua mente, sem apego, apenas sendo essa presença.

Quando te permites ser essa presença reparas que são apenas pensamentos que surgem e como surgem também partem, desde que não te apegues a eles. Começas a observar a estória nos seus diferentes capítulos que criaste sobre esse personagem que julgavas ser, essa ideia de "eu" é mais um pensamento, quando te libertas fica apenas aquilo que é a tua essência e esta é perfeita como é.

Tu és tudo aquilo que tens procurado ser, tudo aquilo que julgavas te faltar, seja amor, seja paz, seja felicidade, já existem nessa presença plena que és.

Se achas que te falta algo e estás em sofrimento, esse sofrimento é um desafio que a vida te dá para que despertes para a tua essência, a vida cuida de nós e traz-nos tudo aquilo que precisamos em cada momento por forma a despertarmos, por vezes podemos ignorar esses desafios e optar por sermos vítimas e continuarmos adormecidos, e assim será até ao próximo desafio que a vida nos coloca e que será mais forte.

No entanto seja qual for o desafio que a vida nos coloque, isso só acontece porque estamos preparado para lidar com eles e porque eles nunca põe em causa aquilo que é a nossa essência, essa presença imutável que está sempre presente.

Assim podes escolher aceitar a tua realidade atual e se ela te traz sofrimento neste momento, aceita-o como tal e confia que a vida te guiará ao melhor de ti, pois se lutas contra aquilo que é a tua realidade irás perder, quando aceitas e ages a partir do não julgamento tudo se clarifica e as soluções surgem quando precisas delas.



quarta-feira, 22 de maio de 2013

O que acontece depois de despertar para a realidade


Despertando aquilo que achavas que eras, realizas que era uma mera ilusão, achavas que eras uma coisa, um ser e descobres que não és nada, não és uma coisa, um ser, e quando o fazes percebes que sendo esse nada, libertas-te para tomar consciência que és essa presença que tudo inclui, que está presente em toda a existência, logo na verdade és tudo, és unicidade com tudo o que existe, simplesmente plenitude.

Dependendo do teu nível de consciência isto pode parecer confuso, mas à medida que ficas recetivo a despertar, na medida em que estiveres preparado para despertar irás perceber tudo isto, porque na verdade nada há a perceber. Tudo é perfeito assim como é, sendo como é, sem mais.

E esta consciência sobre quem és de verdade está disponível para ti agora, sempre no momento presente, pois este momento é o único que existe.

A verdade sobre quem és é simples e perfeita, tudo inclui, nada exclui, mesmo aquilo que originalmente julgarias como mau, como errado, é na verdade perfeito, faz parte do todo. Nada pode ser excluído, ninguém é dispensável, tudo é experiência.

Aquilo que acreditamos ser enquanto seres humanos é apenas uma ideia limitada de nós, é o ego, e que se vê como separado de tudo o resto, mas esse ego é uma construção, é um mero encadeado de pensamentos que constroem a estória que identificas como tua, habituas-te-te a essa ideia de nome e um corpo agregado a esse nome, mas quando despertas a ilusão desfaz-se.


Os limites que julgavas ter são isso mesmo um julgamento, só são reais na medida em que os criaste e como os criastes são reais para ti e procuras e encontras as provas que o consubstanciam, e no entanto a vida vai te dando desafios que te colocam à prova e que existem para que despertes.

Esses desafios são adequados ao teu nível de consciência, todos os desafios que surgem na tua realidade, por mais difíceis que pareçam, por vezes, só ocorrem por que estás preparado para lidar com eles, fazem parte da perfeição da vida, essa perfeição não é feita de monocórdio, de monotonia, pois se assim fosse continuarias a acreditar como sendo apenas essa ideia de limitação que julgas ser.

Quando surgem as grandes dificuldades então sim partes para a descoberta dos porquês, procuras saber mais, procuras por todos os meios melhorar a pessoa que julgas ser. Alguns partem para mudanças drásticas da vida que levavam até então, abandonam tudo, partem em viagens de autodescoberta, ao encontro de si mesmos.

Será isso necessário para despertar? Será necessário ir até à Índia para se tornar um iluminado?

Eu te respondo que não, nada disso é necessário, se o fizeres nenhum mal virá dai, mas não se limita a isso, tudo aquilo que poderias precisar já existe em ti, tudo aquilo que és é perfeito assim como é.

Então o que precisas de fazer se não o vês desse modo? Se achas que não és perfeito assim como és?

O primeiro passo é a vontade de te conheceres de verdade, é confiares na vida, que ela te dará na medida em que estiveres preparado os meios para que despertes de vez, e isso poderá ser através da leitura de um livro, poderá ser a leitura deste blog, escolheres um "professor" que te ajude a despertar. O que for será o melhor para ti, basta que estejas recetivo.

Ao despertar será que deixas de ser quem és?

Não, o teu corpo continua a existir, a realidade em que vives continua a existir e todas as pessoas que dela fazem parte, pois se fazem parte da tua vida, é perfeito que façam parte da tua vida, tudo o que aconteceu foi o que te trouxe até aqui, a grande diferença é que deixas de julgar o que acontece e experiencias tudo o que acontece, pois és essa presença que está ligada a tudo isso.

E sim poderão surgir mudanças naquilo que é a tua realidade atual, podem sair e entrar pessoas na tua vida, podes mudar de emprego, tudo isso e muito mais pode ocorrer, mas não porque ao despertar se resolvam aquilo que consideravas problemas, mas sim porque a tua consciência evoluiu e foram todos os desafios que tiveste que te permitiram essa evolução, esse despertar.



segunda-feira, 20 de maio de 2013

O embuste de ser iluminado


Quando surge a necessidade de se saber mais sobre quem somos de verdade, quando se inicia um "caminho" de descoberta pessoal, procura-se alcançar a iluminação, ser iluminados. E esta procura por algo mais é, nada mais, do que um artefacto do ego para nos fazer acreditar como limitados, como incompletos, num processo interminável de "busca, mas não encontres" para manter o controle.

E por vezes devido à persistência de alguns, conseguem esses poucos, ter experiências de graça, de elevação, de contacto com a essência, de iluminação, mas que são pouco duradouras, o que leva a uma incessante procura por repetir tais experiências, sempre procurando algo que lhes permita vivenciar de novo, mas quase nunca voltam a acontecer.

Tudo isto é um grande embuste porque só ocorre no sentido de reforçar a força dessa ideia limitada de ti, que coloca um véu sobre quem és de verdade, se te permitires libertar de todas essas ideias, percebes que tudo aquilo que tens procurado já existem em ti, já és tu.

Apenas tens estado a "dormir", tens andado num estado de sonambulismo e confundindo-te com o sonho em que vives e essa ilusão ganha mais força quando descobres que há algo mais, quando te voltas para a descoberta pessoal, para o autoconhecimento e no entanto continuas a sonhar.

E então perguntas e como é que sei que estou desperto desse sonho, quando tenho a certeza que já não  estou controlado pela ideia limitada de mim? 

Saberás que despertaste quando deixas de procurar, quando deixas de fazer perguntas, porque simplesmente já sabes que tudo é como é, e assim sendo é perfeito. Sabes que aquele que julgavas ser é apenas um mero encadeado de pensamentos que constituem aquilo que consideravas, até então, a tua estória. 

Quem és então não sendo essa estória que julgavas ser?

As palavras ficam aquém de poder descrever aquilo que é a realidade, mas podemos fazer uma aproximação que nos permita desbravar caminho para despertar, até que as palavras possam ser dispensadas e assim sendo direi que somos essa presença, uma presença que está por trás dessa estória que  aceitaste como tua. Uma presença que é ilimitada, que é intemporal, que não pode ser explicada apenas vivida.

Ao despertar deixarei de existir?

A resposta real seria, aquele que pensavas ser nunca existiu, logo não pode deixar de existir o que nunca existiu, contudo por uma questão prática, dentro da ilusão de realidade em que acreditamos viver, neste mundo de limitação que foi criado por nós, logo é real para nós enquanto estivermos sonhando, aquilo que muda quando despertas é tudo ficando tudo igual na mesma.

Ou seja, tudo fica igual ao teu redor, continuas a ter esse corpo, continuas a ter de pagar a prestação da casa, as contas, aquilo que consideras problemas continuam lá, nada desaparece por artes mágicas; o que muda é a ideia que tens de ti, ao despertar percebes que o personagem que acreditavas ser é apenas mais um pensamento que surge como todos os outros pensamentos e no entanto quando isso acontece sentes o espaço a crescer para ti, sentes que podes respirar melhor, libertas espaço em ti e a presença que "és" torna-se mais presente. Experiêncías  paz, a alegria imensa que reside em "ti" e como tudo está ligado, como tudo é simplesmente perfeito e tudo está bem assim como está. mesmo quando parece que está tudo mal.

Falando da minha experiência, da minha caminhada de descoberta pessoal, cheguei a um ponto em que tinha um conhecimento teórico que se poderia considerar elevado, no entanto na prática, tendo de facto evoluído bastante, a procura continuava, sabendo que tudo é um sonho, continuava a ter expectativa de encontrar algo que fosse muito transformador, de uma experiência "deslumbrante" que tudo mudasse e no entanto o verdadeiro despertar dá-se quando percebo que as expectativas é que me impediam de perceber que já estava tudo aqui, que aquilo que procurava já estava aqui, nunca deixou de estar.

Que essas expectativas eram apenas mais um véu que criava ilusão sobre a realidade, observando esse pensamento sobre as expectativas, como ele é, tudo encaixou no seu lugar, as perguntas deixam de ser necessárias. E no entanto isto não representa o fim de nada, pois as ideias de limitação, o ego, continuará a tentar manter o controle e os desafios do dia-a-dia continuarão a ocorrer, até para expandir o despertar a todos aqueles que fazem parte desta realidade. 

E tudo é, assim como é, sendo simples e perfeito, assim como é.




quinta-feira, 16 de maio de 2013

Sem julgamentos a vida flui



A vida é um fluxo continuo em permanente expansão e que se manifesta em diferentes formas, uma das formas é esta ideia de ser humano, que se materializa em corpos e numa mente que o controla. E o ser humano baseia a ideia sobre si através do julgamento, é o julgamento que o faz percecionar aquilo que ele considera a sua realidade.

E como é feito esse julgamento? 

Sempre tendo como referência o passado, primeiro o dos progenitores que constituem o primeiro filtro da nossa realidade e que servirá de modelo para os filtros que cada ser humano vai construindo ao longo da sua existência.

São estes filtros que nos levam a julgar tudo o que ocorre, não pelo que acontece em si, mas sim de acordo com as memórias que são ativadas imediatamente quando perante qualquer situação; por si só, isto não será grave, poderá ser mais grave se esses filtros são "negativos", se estão condicionados a um mundo de escassez, a um mundo selvagem onde é cada um por si, onde apenas os mais fortes sobrevivem.

Se forem estes os filtros, então tudo o que acontece pode ser visto como uma ameaça à sobrevivência de cada um, cada ato poderá ser visto como um ataque pessoal, como se colocasse em causa aquilo que somos e leva-nos a ver os demais como concorrentes,quando não, como o inimigo.

E tudo começou nos filtros que usamos ao percecionar a realidade, sem tomarmos a consciência que a realidade é um espelho do nosso interior, tudo aquilo que ocorre seja bom ou menos bom, é uma projeção de algo que existe em nós. É fácil de aceitar aquilo que julgamos como bom, já aquilo que é menos bom, procuramos encontrar um culpado, que não nós mesmos.

Fazemos uma projeção por forma a evitar lidar com a situação que existe em nós, por forma a encontrar um bode expiatório que nos alivie dessa sensação de culpa, ainda que inconsciente, devida à projeção. Mas enquanto não lidarmos com essas situações, que julgamos, de menos boas, de frente, elas continuarão a surgir na nossa realidade de diversas formas, até que lidemos com elas.

Tudo porque o chip do julgamento, os filtros que nos conduzem ao julgamento, continua ativo em nós. Assim sendo continuaremos a julgar incessantemente até ao momento em que estejamos preparados e recetivos para sermos livres, para despertar e perceber que nada há a julgar.

Quando nos libertamos da necessidade de julgar surge na nossa atenção um imenso espaço, uma imensa paz, que nos permite estar presentes de verdade na nossa realidade, em vez de dispersarmos a nossa atenção no julgamento, permiti-mo-nos vivenciar aquilo que se nos presenteia cada momento pelo que ele é, como se visse-mos tudo pela primeira vez, um mundo de novas oportunidades, com plena liberdade para o desfrutar sem rancores, sem bagagem passada a toldar a nossa realidade.

Sem julgamento entramos em fluxo com a vida e com tudo aquilo que ela tem para nos dar, em vez de tentarmos controlar aquilo que deve de ser a nossa realidade, baseado em filtros passados, podemos aceitar aquilo que a vida nos traz, pois ela traz-nos sempre tudo aquilo que precisamos em cada momento, em vez daquilo que julgámos que precisamos em cada momento.

E quanto mais em fluxo com a vida estamos mais tomamos consciência que tudo é perfeito assim como é, que nada precisamos de fazer, que tudo aquilo que julgávamos precisar já existe em nós de facto, que fazendo menos, muito menos, teremos mais, muito mais para desfrutar e partilhar com todos aqueles que partilham desta aventura que é viver uma experiência humana.

Mas não acredite apenas porque eu lhe digo que assim é, experimente por si e verá os resultados, permita-se por uma hora, por um dia, uma semana, não julgar nada do que ocorra na sua realidade, permita-se aceitar o que ocorre pelo que é, deixando-se levar no fluxo da vida e tire as suas conclusões. Como disse, basta começar por apenas uma hora e ir aumentando gradualmente, permita-se experimentar de facto, não a tentar, mas sim a fazer mesmo, sem julgar apenas presente para o que vier. E se entender por bem poderá partilhar comigo a sua experiência no seguinte email r23.renato@gmail.com

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