segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Aprender a questionar os pensamentos




Enquanto humanos temos tendência a acreditar que somos aquilo que pensamos e estamos de tal maneira focados nesses pensamentos, envolvidos por esses pensamentos que limitamos a noção daquilo que somos de verdade.

Os pensamentos ocorrem em nós, mas não nos limitam. Nós somos o espaço onde eles ocorrem, somos muito maiores do que aquilo que pensamos. Uma das consequências de acreditar ser apenas o que pensamos é prescindir de relembrar quem somos em essência. 

Por si só os pensamentos não nos limitam, é a nossa atenção aos mesmos que nos limita.

E o que podemos fazer então para deixar de nos limitar-mos pelos pensamentos que ocorrem em nós?

Em primeiro lugar tornando-nos conscientes dos pensamentos, observando os pensamentos quando eles surgem. Quando apenas os observamos começamos a estar cientes dos espaços que há entre os pensamentos. Espaços esses que são imperceptíveis quando estamos totalmente focados, totalmente identificados com os pensamentos. 

Quanto mais praticar a atenção nos mesmos, quanto mais se observa os pensamentos, menos condicionados pelos mesmos estamos. 

E permite ainda o segundo passo que é questionar os pensamentos que surgem. Por exemplo quando perante determinada situação uma pensamento de julgamento surge, classificando essa situação, se estivermos cientes do pensamento em si podemos questionar se isso é totalmente verdadeiro. 

Se aquilo que acabamos de classificar é sempre assim ou se poderá ser visto de um modo diferente. E sendo visto de um modo diferente poderá ser igualmente verdadeiro, aquilo que os diferencia é a nossa atenção e aceitação dos mesmos. Não existe apenas uma maneira de ver o mundo, de percecionar a realidade e de nós só nos é pedido que não sejamos inflexíveis. 

Se por ventura concluirmos que sim é verdadeiro, na nossa perceção aquilo que classificamos inicialmente, o terceiro passo será verificar de que modo isso nos faz sentir; que sensações se manifestam em nós e no nosso corpo. 

Essas sensações se forem desagradáveis, se nos fazem sentir mal então é porque esses pensamentos nos estão a condicionar bastante, estamos demasiado identificados com os mesmos. Esse poderá ser um reforço para que tenham mente aberta para se permitirem mudar a vossa relação com essa situação, permitindo que novas perspetivas se possam manifestar e libertarem-se desses condicionalismos, ao mesmo tempo que aprendem a se conhecerem melhor.

Quando questionamos os pensamentos ampliamos o nosso nível de consciência e desse modo a forma como nos relacionamos com a realidade, com a vida que somos.


 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Viver a vida tal como ela é




A vida existe para ser vivida tal como ela é e isso significa tudo aquilo que faz parte da vida, sem exceção. 

Neste tudo estão as situações que consideras como boas e estas é pacífico para ti aceitá-las. Mas também faz parte desse tudo, as situações que crês serem menos boas e até más para ti. A verdadeira diferença entre essas situações resulta da tua perceção. 

É a tua perceção que classifica os acontecimentos que surgem na tua vida. Os acontecimentos são neutros por si só, já o teu julgamento não o é. O julgamento, a forma como classificas aquilo que vai acontecendo na tua vida, resulta das crenças que tens, resulta da tua atenção no momento em que ocorrem. 

Na realidade a tua perceção é volátil, ela não é constante, uma mesma situação pode ser julgada por ti de uma maneira num determinado momento e de outra maneira diferente noutro momento. O que contribui para que isso aconteça é por exemplo o teu estado de espírito. Perante uma mesma situação se estiveres bem disposta poderás tolerar e não dar grande importância, ou então fazer uma grande drama se estiveres de mau humor. 

Um exemplo disso poderá ser um amigo passar por ti e não te cumprimentar. Se estiveres de bom humor poderás não dar grande importância, mas se estiveres de mau humor começaras a criar "estorinhas" na tua cabeça sobre o motivo pelo qual esse amigo não te cumprimentou. Pensamentos do género, "deve ter a mania que é importante e já não cumprimenta", "quando te voltar a ver vais ver o que te digo", "já estás na minha lista negra". E tudo o  mais que a imaginação permitir.

O que é mais importante não é evitar julgar, pois isso enquanto humanos é natural, faz parte da natureza humana julgar o que ocorre na nossa realidade. Mais do que evitar esse julgamento é ter consciência desse julgamento, estar ciente quando ele ocorre e assim tomar consciência que não és esses julgamentos, esses pensamentos ocorrem em ti, mas não te definem, não te limitam.

Quanto mais ciente estás do teu sistema de pensamento mais livre ficas para desfrutar da realidade como ela é, sem desejar que ela seja outra coisa qualquer.

Como fazer para estar mais ciente do teu sistema de pensamento, mais ciente das perceções que ocorrem?

Fazes isso estando focado no momento presente, colocando a tua atenção no agora e isso pode ser praticado, quanto mais praticares, mais focado poderás estar. Estando presente no agora, aceitando-o como ele se apresenta. Este aceitar não implica resignação, não implica que cruzes os braços e nada faças. 

Aceitação significa que fazendo o que fazes estás com atenção plena ao que fazes e às manifestações que ocorrem, quer dentro, quer fora de ti. E ficas ciente de que ocorra o que ocorrer, estarás preparado para lidar como isso, pois de outro modo não ocorreria. Sabes também que nada do que ocorra te coloca em causa, nada coloca em causa a tua essência.

Ficas ciente de que a vida não é algo externo que te vai acontecendo, mas sim que a vida és tu, em toda a sua plenitude, és tu. Confia na tua inteligência natural para que esta te oriente, confia na vida ela sabe o que é o melhor para ti. Tu és muito mais do que pensas que és. O pensamento é complexo, já a vida é simples. Tu és simples, permite-te conhecer de verdade.



terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

6 Dicas para desfrutar de mais felicidade




Permite-te cometer erros 

Os erros são parte integrante daquilo que é ser humano, e a questão não se coloca sobre se irás cometer erros ou não, isso é um dado adquirido, que os irás cometer. O que é mais importante é o que fazes com os erros que cometes, de que modo permites que tenham impacto na tua vida, a forma como lidas com os erros que cometes. A forma como lides com os erros poderão ser uma prisão para ti, impedindo-te de te conheceres de verdade e realizares o teu pleno potencial. Ou então podem ser libertadores, permitir-te evoluir, conhecer-te melhor e contribuir para um mundo melhor para todos. Só tu te podes permitir ou impedir de agir.

Arrisca-te

Só arriscando poderás ir mais além, se te limitas a fazer o que sempre fizeste, os resultados que terás serão sempre os mesmos, por si só, isso não é bom, nem mau, significa apenas que te resignas, que te acomodas na tua zona de conforto. Arriscar implica cometer mais erros, implica entrar no desconhecido, mas só desse modo poderás conhecer até onde vão os teus limites, só indo mais além poderás saber até onde podes ir. Ao arriscar tens garantido mais experiência para ti, mesmo que tudo corra mal, terás sempre algo mais do que tinhas antes de arriscar, terás mais recursos internos para lidar com as situações e terás mais probabilidades de ser bem sucedido em ações futuras.

Mente aberta

Ter uma mente aberta permite-te estar atento às oportunidades que surgem a todo o instante na tua realidade e que se tiveres uma mente fechada não as irás ver, mesmo estando na frente dos teus olhos. Porque não estarás preparado para as reconhecer como tal. Uma mente aberta permite que não negues à partida nada do que surja, sem te permitir conhecer o que surge e o que te quer comunicar. Tendo uma mente aberta podemos aprender sempre coisas novas, quanto mais não seja como evitar cometer os mesmos erros várias vezes. Podemos aprender diferentes perspetivas da realidade, pois não existe apenas uma forma de ver o mundo, mas sim múltiplas visões, que conjugadas poderão ser uma mais valia.

Ser grato

A gratidão implica reconhecer o quanto já somos, e o quanto já temos, mas que por vezes damos como adquirido, sem lhe dispensar o ser real valor e importância. O ser grato é um estado de espírito que te permite ter consciência do quão rico já és, e isso é muito mais do que apenas os bens materiais. Sendo grato permites-te reconhecer em ti que já tens tudo aquilo que julgavas que te faltava, que tu possuis as respostas para as tuas dúvidas, só que tens procurado as respostas no local errado. O ser grato permite que a vida te dê mais motivos para sentires gratidão. Terás sempre motivos para agradecer se a isso estiveres recetivo, se em vez de focares naquilo que julgas faltar, te focares naquilo que és e tens neste momento.

Faz uma pausa, respira

A vida moderna é tão agitada, tudo está em constante movimento, que por vezes se esquece o mais simples, que é...tu estás vivo. Permite-te fazer uma pausa e respira, não que deixasses de o fazer antes, mas não tens reparado. Já reparaste na miríade de ocorrências necessárias a que possas respirar, repara agora. Observa apenas, sem forçar, nota como o ar entra e se espalha dentro de ti e depois como sai, esvaziando os teu pulmões. Repara apenas e verás surgir uma sensação de paz, que sempre está ai esperando que repares nela. Basta uma pequena pausa e a tua vida continua. Quando te apanhares no meio da agitação lembra dessa paz que carregas contigo.

Deixa de forçar

A vida é plena como é, tu és essa vida. Para ficares ciente que és essa vida e não algo externo à vida, só necessitas de deixar de forçar, tentando que a vida seja como pensas que ela deve de ser. Esse forçar apenas distrai a tua atenção daquilo que já existe em ti, daquilo que já existe na tua realidade, sendo esta um espelho do teu interior. Quando deixas de forçar escolhes simplificar, escolhes confiar na vida que és, para que esta te oriente. A vida só quer o melhor para ti, ainda que por vezes não o vejas como tal no imediato, quando olhas em perspetiva reconheces que assim foi. Só acontece aquilo que tem de acontecer e que estás preparado para lidar, de outro modo não aconteceria. Confia que assim é, vê por ti. 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Lidando com as imperfeições





O ser humano é imperfeito, por si só isto nada tem de errado, aquilo que o pode fazer parecer errado é a perceção de cada um de nós. A perceção que tem de ser perfeito e desse modo rejeita aquilo que considera como imperfeito, enquanto deseja se tornar perfeito.

É precisamente o que rejeita em si que mais o irá condicionar na sua vida, pois aquilo que rejeita não desaparece, quando muito pode empurrar para o fundo do baú e fazer de conta que não existe, mas isso não impede que continue a influenciar aquilo que considera a sua vida.

E será assim até que por iniciativa própria ou por força das circunstâncias tenha que lidar de frente como tudo aquilo que tem rejeitado, que tem preferido ignorar, esperando que passe.

O ser humano não é perfeito, nem é suposto que seja, é na relação como essas imperfeições e com aquilo que lhe agrada que se irá conhecer melhor e descobrir quem é de verdade. As imperfeições que tem preferido ignorar podem lhe ser dadas a lidar, não só diretamente, mas também através das atitudes das pessoas que surgem e fazem parte da sua vida, seja por muito ou pouco tempo.

Como lidar com as suas imperfeições?

Em primeiro lugar reconheça-as, tudo aquilo que considera como imperfeito em si, seja ao nível físico, seja ao nível comportamental, reconheça que existem em si, que fazem parte da sua vida.

Em segundo lugar, veja de que modo elas se manifestam, como é que são essas imperfeições e como impactam a sua vida.

Em terceiro lugar, fique disponível para aprender com elas, aquilo que essas imperfeições lhe querem comunicar, aquilo que lhe ensinam sobre si e da sua postura no mundo.

Em quarto lugar permita-se ver essas imperfeições de uma perspetiva diferente, podem elas ser vistas de outro modo? Podem elas afinal não serem imperfeitas?

Em quinto lugar se continuar a desejar mudar essas imperfeições, faça-o se puder, se não puder simplesmente aceite-as como são, aprenda a ama-las , pois na verdade elas também são parte de ti, são aquilo que o fazem único.

Verdadeiramente aquilo que lhe parece imperfeito resulta apenas da sua perceção, resulta de um pensamento que surge em si, mas você não é aquilo que pensa que é. Os pensamentos surgem em si, mas não o definem, enquanto acreditar ser aquilo que pensa, está a escolher limitar-se. E no entanto a sua essência continua sendo plena e perfeita como é, a essência nada exclui, seja isso percecionado como perfeito ou imperfeito.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Preciso que me ames do meu jeito




Enquanto humanos encaramos o amor como uma necessidade, cremos precisar do amor para nos sentir completos e esse amor terá de nos ser dado por alguém que surge na nossa vida com essa missão. E fazemos mais, pois idealizamos de que forma deve de ser esse amor, que tipo de comportamento esperamos que essa pessoa tenha connosco, criamos expectativas que essa pessoa deve de cumprir para que esse amor seja completo, quando isso não acontece, então parte-se para outra pessoa em busca de alguém que cumpra esses ideais.

Essa forma de encarar o amor está condenada à frustração, ao insucesso, mesmo quando os relacionamentos continuam, pois desiste-se da ideia de amor e há uma entrega à rotina, acreditando que é assim que deve de ser.

O amor não pode ser encontrado, ele pode apenas ser reconhecido, pois o amor, o verdadeiro amor, aquele que é da essência, ele já existe em nós, ele é quem nós somos. Nós somos amor, logo não podemos completar algo que nunca esteve incompleto.

É através do autoconhecimento que descobrimos a plenitude do nosso ser, que relembramos que já somos tudo aquilo que julgávamos necessitar. 

Significa isto que somos autossuficientes? Que não necessitamos de mais ninguém na nossa vida? 

A resposta é não, o que esta consciência nos dá é uma maior liberdade para desfrutar da realidade como ela é, sem achar que somos colocados em causa pelo quer que aconteça nela. Esta consciência de que somos plenos tal como somos, permite-nos uma mudança de perspetiva, passando de uma relação de exigência do outro, procurando o que o outro nos pode dar. Para uma perspetiva de partilha com o outro, passamos a dar aquilo que somos, pois sabemos que sendo completos podemos dar o nosso amor e fazer com que cresça através dessa partilha.

Com esta nova perspetiva estaremos de corpo e alma em qualquer tipo de relação, procurando conhecer a outra pessoa pelo que ela é e não num exame constante para saber se nos dá aquilo que idealizamos que deveria nos dar. Quando deixamos de idealizar o papel dos outros ficamos livres para viver em pleno o papel principal na nossa vida, pois a nossa vida apenas nós a podemos viver, mais ninguém a pode viver por nós.

Assim e voltando ao titulo deste post, o preciso que me ames do meu jeito, só será verdade enquanto acreditarmos que somos seres limitados e que desse modo estaremos dependentes das vontades alheias, da sorte, para encontrar quem nos complete, quem nos traga a possibilidade de realização e quando isso não acontece, é porque tivemos azar, ou o universo conspira contra nós.

Seja qual for a tua situação atual, não importa isso também irá passar, já aquilo que és em essência permanece igual, não importando o que pensas sobre isso. Os pensamentos são complexos, já a vida é simples e tu és vida.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Como te relacionas com o desejo?



O desejo é o motor da realidade humana, é o que faz movimentar as pessoas, mas o grau de satisfação com a tua realidade depende da tua relação com o desejo. Quando te condicionas totalmente pelo desejo quando deixas que este delimite todos os teus passos e ações, estás a limitar-te. Nenhum ser humano é isento de desejo, o querer mais e mais é intrínseco e não tens como evitá-lo, mas aquilo que depende apenas de ti, é a forma como te relacionas com o desejo.



O desejo é o que te leva a saber mais sobre ti, a procurar conhecer-te melhor e terás uma relação saudável com o desejo quando não te limitas nele, quando o reconheces como acontecendo em ti, mas sabes que ele não te define, que na verdade nada te falta em essência e que enquanto vivendo esta experiência humana naturalmente o desejo vem. Quando usas o desejo como um impulsionador para agires na tua realidade, mas sem uma necessidade de preencher alguma lacuna que crês ter.

Juntamente com o desejo surge a ansiedade, que é mais evidente quando tens uma relação nociva com o desejo, a ansiedade é uma sensação de falta, é o preocupares por ainda não teres algo que pensas necessitar. Esta ansiedade afasta a tua atenção do momento presente e coloca-a algures no futuro onde esperas que tudo seja perfeito, que tudo esteja resolvido como acreditas que deve de estar.

O desejo também está relacionado com algo que acreditas que não possuis no momento presente, a diferença resulta de o usares como algo de orientador para agires no presente, desfrutando do processo plenamente e não apenas pensando numa possível resultado futuro. Assim resulta uma relação saudável com o desejo, que é inerente à condição humana. 

A realidade humana é feita de experiência, é da soma dessas experiências que vais construindo a tua história, até que estejas preparado para relembrar que não és essa história, que ela acontece em ti, mas não define quem és em essência.  Na medida em que vais ficando mais ciente de quem és de verdade, na medida em que vais elevando o teu nível de consciência, sabes que a realidade é um espelho do teu interior, que não existe separação entre aquilo que pensavas que eras e aquilo que é a tua vida.

A vida não é algo que te acontece, algo exterior a ti e que por vezes corre bem e outras menos bem, sendo tu uma vítima das circunstâncias.

Tu tens o poder de escolher em cada momento a forma como queres lidar com a vida e fazes isso escolhendo-te em primeiro lugar, não de uma forma egoísta que resulta de te veres como separado de tudo o resto, mas sim sabendo que tudo está ligado, que tudo é parte de ti e que cuidando de ti estarás a cuidar de quem faça parte da tua realidade.

Quando te escolhes em primeiro lugar descobres que te podes dar incondicionalmente aos outros, pois és pleno sendo como és, deixas de desejar completar algo que acreditavas incompleto e passas a partilhar aquilo que és, onde quer que vás, pois sabes que é através da partilha que relembras o quão pleno és. Pois só pode dar quem tem para dar.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Deus existe?




Esta questão já surgiu há quase totalidade das pessoas, sejam crentes ou não crentes. E de verdade não existe uma resposta absoluta. Existem tantas respostas quanto o número de pessoas, cada um terá a sua resposta a esta questão, seja ela tida por si mesma, seja assimilada através de alguma religião ou outras crenças existenciais e filosóficas. Mas mesmo pessoas que professam a mesma religião tem uma relação diferente com a noção da existência de Deus.

O Deus mais "comum" não existe, pelo menos na forma que a maioria crê existir, ou seja, um Deus feito à semelhança do homem, que está algures lá em cima velando pelos simples mortais, castigando quem tem de castigar e agraciando quem faz por o merecer. 

Aqui existe uma troca de perspetivas que tem origem nessa ideia de limitação que enquanto humanos acreditamos ser, quando as religiões falam de um ser humano à semelhança de Deus, por vezes procura-se as características humanas em Deus, faz-se uma projeção do Homem em Deus, porque é assim que o ser humano lida com a realidade. 

A realidade é uma projeção do seu interior, das suas crenças que se vêem espelhadas naquilo que tem de experienciar na sua vida. E no entanto ser à semelhança de Deus significa que não somos limitados por ideia alguma, não somos limitados por um corpo e uma mente controladora. Mesmo quando acreditamos cegamente que assim seja, pois essas crenças em nada beliscam a nossa essência.

Deus não existe da forma que cremos que ele existe, seja essa forma qual seja. Nenhum ser humano consegue alcançar a dimensão plena da sua essência, da vida que é. Deus é mais um nome que atribuímos e pode assumir qualquer nome que seja mais confortável, segundo as crenças de cada um. E na verdade Deus é tudo isso e mais alguma coisa, pois ele é pleno, tudo abarca e nada exclui.

Cada um de nós é Deus também, é vida também, plena e sempre presente aqui e agora.

Em nome de Deus cometem-se muitas atrocidades, muitos julgamentos e isso apenas ilude a ideia daquilo que somos, mas não altera o que somos de verdade. A dúvida da existência de Deus surge dessa ideia de separação, desse fosso entre um eu e os outros e quando as coisas não acontecem como achamos que deveriam de acontecer, questionamos a existência de Deus, interrogando como ele permite que ocorram determinados acontecimentos. Isso ocorre da projeção das qualidades humanas nesse Deus.

A dúvida pode existir, ela quando surge é real, mas cada um de nós tem a capacidade de lhe dispensar a atenção que quer. Se quando a dúvida surgir nos permitirmos observá-la, ver como ela se manifesta em nós e sem apego permitirmos que parta, tal como surgiu, veremos que as certezas daquilo que é se tornam mais reconfortantes, pois não podemos deixar de ser o que somos em essência. 





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